Abrir um consultório de psicologia é o sonho de muitos profissionais que desejam conquistar autonomia, construir uma agenda sólida e oferecer um atendimento mais humanizado, com identidade própria.
Mas, para transformar esse projeto em uma realidade lucrativa e segura, não basta apenas escolher um local e começar a atender. Na prática, é preciso:
- Planejar a estrutura e definir o modelo de atuação;
- Organizar a parte legal e fiscal;
- Escolher o melhor formato de CNPJ;
- Criar processos de gestão que evitem erros comuns, como precificação inadequada, falta de controle financeiro e problemas com emissão de notas fiscais.
Neste guia completo, preparado pela Contabiliza+ Contabilidade, você vai encontrar um passo a passo detalhado para abrir um consultório de psicologia com mais segurança e clareza, entendendo desde a escolha do ponto e documentação até as rotinas fiscais, tributárias e de gestão que fazem diferença no dia a dia do consultório.
Por que planejar antes de abrir um consultório de psicologia?
Antes de entrar no “como fazer”, vale entender por que o planejamento é tão importante. Um consultório pode começar pequeno, mas envolve decisões que impactam diretamente:
- Sua regularidade profissional (conselho, cadastro, regras de atendimento).
- Sua estrutura financeira (custos fixos, capital de giro, previsibilidade).
- Sua tributação (pessoa física, carnê-leão, CNPJ, regimes).
- Seu crescimento (contratação de secretária, sublocação, expansão).
- Sua segurança jurídica (contratos, LGPD, prontuário, termos).
O erro mais comum é abrir correndo, sem clareza do modelo de trabalho e sem entender custos e obrigações. Um consultório pode ser sustentável e rentável, mas precisa nascer com base sólida.
Consultório, clínica, sala alugada ou atendimento online: qual modelo escolher?
Abrir um consultório não significa necessariamente alugar uma sala exclusiva e montar tudo do zero. Hoje existem modelos diferentes, e escolher o certo depende do seu momento e do seu objetivo.
Sala própria (exclusiva)
Você aluga ou compra um espaço e define toda a estrutura: móveis, decoração, equipamentos, agenda, recepção, etc.
- Vantagens: Identidade forte, autonomia, possibilidade de crescimento.
- Desafios: Custo fixo maior, investimento inicial, responsabilidade total pela estrutura.
Sala por período (coworking de saúde)
Você paga por hora, período ou pacote mensal para usar uma sala pronta.
- Vantagens: Menor custo, flexibilidade, início rápido.
- Desafios: Menos personalização, regras do espaço, disponibilidade de agenda.
Consultório compartilhado (sublocação)
Você divide o espaço com outros profissionais, rateando aluguel e despesas.
- Vantagens: Custos menores, networking, estrutura mais completa.
- Desafios: Necessidade de boa organização, contratos claros, gestão de convivência.
Atendimento online (telepsicologia)
Modelo cada vez mais comum, com custo operacional menor.
- Vantagens: baixa estrutura física, alcance maior, flexibilidade.
- Desafios: necessidade de organização tecnológica, ética e privacidade, processos claros.
Muitos psicólogos começam com atendimento online e sala por período e, conforme constroem agenda, migram para um consultório exclusivo.
Como abrir um consultório de psicologia [Passo a Passo]
Se você chegou até aqui, provavelmente já entendeu que abrir um consultório de psicologia vai muito além de escolher uma sala e começar a atender.
O consultório precisa nascer com base em decisões práticas, desde o modelo de atendimento (presencial, online ou híbrido) até a organização financeira, a regularidade fiscal e os cuidados com documentação e rotina de trabalho.
A boa notícia é que, com um passo a passo claro, você consegue estruturar tudo com mais segurança, evitar gastos desnecessários e começar de forma profissional, mesmo que ainda esteja montando a agenda.
A seguir, você vai ver as etapas essenciais para tirar o consultório do papel e colocar sua atuação em ordem desde o primeiro dia, com foco em organização, conformidade e crescimento sustentável.
Passo 1: Faça um planejamento financeiro básico (mesmo se for começar pequeno)
Antes de assinar qualquer contrato, você precisa responder: quanto custa manter o consultório funcionando por mês?
Isso evita decisões que parecem “baratas” no início, mas viram um peso depois.
Liste custos fixos (mensais)
- Aluguel/sublocação ou pacote de sala.
- Condomínio e IPTU (se houver).
- Internet, energia, água (ou rateio).
- Software de agenda/prontuário (se usar).
- Telefonia e WhatsApp Business.
- Contabilidade (se tiver CNPJ).
- Marketing (tráfego, designer, ferramentas).
Liste custos variáveis
- Taxas de cartão/maquininha.
- Plataformas de pagamento.
- Deslocamento (se atender presencial).
- Materiais (papelaria, limpeza, café/água).
Reserve um capital de giro
Mesmo com agenda começando vazia, você terá despesas. O ideal é ter uma reserva para cobrir de 2 a 3 meses de custos fixos, principalmente se estiver iniciando.
Passo 2: Defina seu público, seu posicionamento e sua proposta de valor
Parece “marketing demais”, mas isso influencia diretamente o sucesso do consultório. Psicólogo que tenta atender “todo mundo” tende a ter comunicação fraca e agenda instável.
Perguntas úteis:
- Qual público você quer atender? (adultos, adolescentes, casais, etc.)
- Quais demandas você domina melhor? (ansiedade, luto, TDAH, autoestima…)
- Seu atendimento será presencial, online ou híbrido?
- Qual será seu diferencial? (metodologia, acolhimento, especialização, experiência)
Com isso, fica mais fácil definir:
- Nome e identidade do consultório.
- Forma de divulgação.
- Precificação.
- Rotina de atendimento.
Passo 3: Escolha o local (ou a estrutura) com critérios práticos
Se for atendimento presencial, escolha o espaço pensando em quatro pontos:
- Acesso e segurança: Proximidade de transporte, estacionamento, região segura, acessibilidade.
- Privacidade e silêncio: Consultório exige confidencialidade. Barulho e sala mal isolada derrubam a qualidade do atendimento.
- Conforto e acolhimento: Boa iluminação, ventilação, cadeiras confortáveis, ambiente neutro, sem exageros.
- Custo compatível com sua fase: Melhor começar com uma sala por período bem localizada do que assumir um aluguel alto sem agenda firme.
Passo 4: Entenda a parte profissional e ética (antes de divulgar)
Para abrir um consultório de psicologia, você precisa estar regular com o seu Conselho Regional de Psicologia (CRP) e seguir as normas éticas da profissão, especialmente em relação a:
- Sigilo profissional e prontuários.
- Divulgação (o que pode e o que não pode).
- Atendimento online (estrutura, privacidade, consentimento).
- Contratos e termos (quando aplicável).
Além disso, organize seus registros internos:
- Ficha cadastral do paciente.
- Termo de consentimento.
- Política de cancelamento e faltas.
- Registro de evolução/prontuário.
Quanto mais claros forem os processos, menos problemas no futuro.
Passo 5: Pessoa física ou CNPJ? A decisão que mais impacta impostos
Aqui está uma das maiores dúvidas de psicólogos: vale a pena abrir CNPJ? A resposta é: depende do faturamento, do modelo de trabalho e do planejamento tributário.
Atuar como pessoa física: Quem atende como pessoa física precisa declarar rendimentos e fica sujeito ao Carnê-Leão, com uma alíquota de IR que pode chegar rapidamente a 27,50% sobre seus rendimentos.
Pontos de atenção:
- Tributação pode ficar alta conforme o faturamento cresce.
- É necessário organizar recebimentos, recibos e declaração de IR.
- Pode haver obrigação de recolhimentos mensais.
Atuar com CNPJ: Abrir CNPJ pode reduzir impostos e facilitar a emissão de nota, especialmente se você atender empresas, escolas, clínicas ou convênios (em alguns modelos).
Vantagens comuns:
- Possibilidade de pagar bem menos impostos.
- Organização financeira e contábil mais profissional.
- Mais credibilidade em contratos.
Importante: CNPJ não é “mágica” para pagar menos. Se abrir errado, com CNAE errado ou regime ruim, pode pagar mais.
Sendo assim, é muito importante procurar assessoria contábil especializada na hora de abrir sua PJ de psicologia.
Passo 6: Qual tipo de empresa é mais usado por psicólogos?
Psicólogos que abrem CNPJ costumam optar por estruturas como:
Sociedade Limitada Unipessoal (SLU)
- Permite atuar sozinho, sem sócio.
- Separa patrimônio pessoal do empresarial.
- É uma das opções mais comuns para profissionais liberais.
Sociedade Limitada (LTDA)
- Para quem vai abrir com outro psicólogo ou sócio (inclusive investidor, dependendo do caso).
A escolha depende de objetivos, riscos e forma de atuação. Conte com o suporte da Contabiliza+ Contabilidade, e faça a melhor escolha para o seu negócio!
Passo 7: CNAE para consultório de psicologia e atividades permitidas
Para emitir nota fiscal e operar corretamente, é essencial escolher o CNAE adequado à sua atividade.
Além do CNAE, também é importante:
- Definir corretamente o objeto social.
- Verificar necessidade de inscrição municipal.
- Entender o ISS do seu município (alíquota e regras).
Essa etapa deve ser feita com orientação contábil para evitar problemas com prefeitura, Receita Federal e impostos.
Atualmente, a atividade de psicologia está descrita no CNAE sob o código 8650-0/03 – Atividades de psicologia e psicanálise.
Este código abrange tanto psicólogos clínicos quanto aqueles que atuam em outras áreas, como psicólogos organizacionais, educacionais e forenses.
Passo 8: Documentos e registros para abrir CNPJ
Se você decidir abrir CNPJ, normalmente será necessário:
- RG e CPF.
- Comprovante de residência.
- Informações do endereço do consultório (ou endereço fiscal, quando possível).
- Dados do CRP (registro profissional).
- Definição do tipo de empresa e atividades.
Com suporte da Contabiliza+ Contabilidade, a abertura pode ser feita de forma organizada, com as inscrições necessárias e orientação para emissão de notas.
Passo 9: Emissão de nota fiscal e recibos: como funciona
A emissão de nota fiscal depende do seu modelo:
- Pessoa física: Precisa emitir recibos via Receita Saúde, recolher o carnê leão mensal e fazer a declaração anual de IR.
- Pessoa jurídica: Emite NFSe (nota fiscal de serviço) via prefeitura ou sistema integrado, podendo recolher seus impostos através de regimes como o Simples Nacional e o Lucro Presumido.
Se você atende empresas, escolas ou contratos formais, a nota fiscal será exigida, uma vez que contratantes do tipo pessoa jurídica, não costuma aceitar recibos.
No entanto, mesmo atendendo pacientes pessoa física, emitir nota fiscal, ao invés de recibos, pode ser uma boa prática em alguns cenários, especialmente para organização e comprovação.
Passo 10: Precificação do atendimento
Um consultório de psicologia precisa de precificação sustentável. Para definir preço, considere:
- Seus custos fixos e variáveis.
- Quantas sessões você consegue atender por mês (capacidade real).
- Sua experiência e especialização.
- Seu posicionamento (público e região).
- O tempo total de trabalho (não só a sessão: preparo, anotações, admin).
Uma forma simples é calcular:
- Custo mensal total
- Número de sessões desejadas no mês
- Margem para reinvestir (curso, supervisão, marketing, reserva)
Assim você evita trabalhar no limite e ainda assim não ter lucro.
Passo bônus: Organize a gestão do consultório desde o primeiro dia
Consultório organizado não é “consultório cheio”. É consultório que funciona com processos.
Veja algumas rotinas essenciais:
- Agenda com confirmação automática (reduz faltas).
- Política clara de cancelamento e reagendamento.
- Controle financeiro (entradas, saídas, impostos).
- Registro organizado (prontuário e documentos).
- Separação de conta pessoal e profissional.
Quanto antes você criar rotinas, mais fácil crescer sem se perder.
Quanto é possível faturar com um consultório de psicologia?
Uma das maiores dúvidas de quem pensa em abrir um consultório de psicologia é simples e direta: quanto é possível ganhar na prática?
Entender esse cenário ajuda a tomar decisões mais realistas sobre preços, carga de atendimentos e estrutura do consultório.
Vamos a um exemplo simples e realista:
- Valor médio da sessão: R$ 250,00
- Atendimentos por dia: 5 sessões
- Dias de atendimento no mês: 20 dias
Faturamento mensal bruto:
5 × R$ 250 × 20 = R$ 25.000,00
Agora, considerando custos médios:
- Sala por período ou sublocação: R$ 2.700,00
- Internet, plataformas e ferramentas: R$ 300,00
- Contabilidade e impostos (estimativa): R$ 2.000,00
Custos mensais aproximados: R$ 5.000,00
➡️ Resultado estimado:
Faturamento de R$ 25.000,00 – custos de R$ 5.000,00 = R$ 20.000,00 líquidos.
Esse exemplo mostra que o consultório pode ser financeiramente viável mesmo sem agenda extremamente lotada.
O segredo está em precificação correta, controle de custos e planejamento tributário, evitando trabalhar muito para ganhar pouco.
Com organização e estratégia, o consultório deixa de ser apenas um projeto profissional e passa a ser um negócio sustentável.
Conte com a Contabiliza+ para abrir e organizar seu consultório de psicologia
Abrir consultório de psicologia é uma conquista, mas também uma responsabilidade. A parte tributária e contábil, quando feita de forma estratégica, pode:
- Reduzir impostos legalmente.
- Evitar problemas com prefeitura e Receita.
- Organizar notas e declarações.
- Dar clareza sobre lucro e crescimento.
A Contabiliza+ Contabilidade é especializada no atendimento a profissionais da saúde e pode te ajudar a abrir um consultório de psicologia com estrutura correta, segurança fiscal e planejamento para pagar apenas o necessário, dentro da lei.
Se você quer sair do improviso e montar um consultório profissional, organizado e pronto para crescer, conte com a Contabiliza+ para te orientar do início ao dia a dia da operação.












