O Simples Nacional é um regime tributário simplificado criado para desonerar pequenas e médias empresas, unificando diversas obrigações acessórias e tributos em uma guia única.
Para clínicas médicas, o Simples Nacional pode representar significativa economia de impostos — mas isso depende do enquadramento correto em seus anexos, da aplicação da regra do Fator R e do volume de despesas com pessoal.
Diante disso, vamos explicar como funcionam o Anexo III e o Anexo V do Simples Nacional, detalhar a regra do Fator R e mostrar por que apenas clínicas que se mantenham nas faixas iniciais do Anexo III costumam se beneficiar.
Nós também destacaremos a importância do planejamento tributário para clínicas médicas, realizado por uma contabilidade especializada como a Contabiliza+.
Índice
O que é o Simples Nacional para clínicas médicas, e quando vale a pena?
O Simples Nacional reúne até oito tributos federais, estaduais e municipais — IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, IPI, ICMS, ISS e contribuição previdenciária patronal — em uma única guia de recolhimento mensal (DAS).
Para clínicas médicas, aderir ao Simples significa reduzir a burocracia e, em muitos casos, pagar menos impostos do que nos regimes tradicionais.
No entanto, nem toda clínica consegue se enquadra em uma alíquota vantajosa. Isso porque o Simples divide as atividades em anexos, cada um com tabelas de alíquotas progressivas que variam conforme a receita acumulada nos últimos 12 meses.
De acordo com a legislação em vigor, clínicas optantes pelo Simples Nacional podem ser enquadradas no Anexo III ou V. A escolha depende do Fator R, critério que compara a folha de salários e encargos com a receita bruta.
Como funciona o Fator R do Simples Nacional para clínicas médicas?
O Fator R é o percentual obtido pela divisão da folha de salários e encargos de todos os serviços pelo faturamento bruto dos mesmos serviços, nos últimos 12 meses:
A fórmula é a seguinte:
Fator R = (Folha de salários + encargos) / Receita bruta de serviços
- Se o Fator R for igual ou superior a 28%, a clínica se enquadra automaticamente no Anexo III, com alíquota a partir de 6%.
| Faixa | Receita em 12 meses | Alíquota | Valor a deduzir |
| 1ª | Até 180.000,00 | 6,00% | — |
| 2ª | De 180.000,01 a 360.000,00 | 11,20% | R$ 9.360,00 |
| 3ª | De 360.000,01 a 720.000,00 | 13,20% | R$ 17.640,00 |
| 4ª | De 720.000,01 a 1.800.000,00 | 16,00% | R$ 35.640,00 |
| 5ª | De 1.800.000,01 a 3.600.000,00 | 21,00% | R$ 125.640,00 |
| 6ª | De 3.600.000,01 a 4.800.000,00 | 33,00% | R$ 648.000,00 |
- Se o Fator R for inferior a 28%, aplica-se o Anexo V, com alíquota a partir de 15,50%.
| Faixa | Receita em 12 meses | Alíquota | Valor a deduzir |
| 1ª | Até 180.000,00 | 15,50% | — |
| 2ª | De 180.000,01 a 360.000,00 | 18,00% | R$ 4.500,00 |
| 3ª | De 360.000,01 a 720.000,00 | 19,50% | R$ 9.900,00 |
| 4ª | De 720.000,01 a 1.800.000,00 | 20,50% | R$ 17.100,00 |
| 5ª | De 1.800.000,01 a 3.600.000,00 | 23,00% | R$ 62.100,00 |
| 6ª | De 3.600.000,01 a 4.800.000,00 | 30,50% | R$ 540.000,00 |
Além disso, vale destacar que devido aos valores da coluna “valor a deduzir”, a alíquota efetiva máxima do Simples Nacional para clínicas médicas, é de 19,50%, isso na última faixa de faturamento do regime.
Manter o Fator R acima de 28% costuma ser vantajoso, pois permite acesso às alíquotas menores do Anexo III. Em compensação, isso costuma exigir controle rigoroso da folha de pagamento e, em alguns casos, aumento de quadro, o que deve ser avaliado junto a um planejamento tributário.
Por que só vale a pena no Anexo III nas primeiras faixas?
Como vimos, o Anexo III é interessante até a faixa 3 (13,2%), a partir da faixa 4 (16%) a alíquota efetiva se aproxima ou ultrapassa o custo tributário do Lucro Presumido.
No Lucro Presumido, a carga tributária das clínicas médicas é fixada da seguinte forma:
- Impostos Federais (IRPJ, PIS COFINS e CSLL): Juntos somam 11,33% sobre o faturamento.
- Imposto Municipal (ISS): 2% a 5% sobre o faturamento, a depender do município.
Diante disso, por mais que o Simples Nacional conte com a facilidade do pagamento de impostos em guia única, em muitos casos, o Lucro Presumido pode ser uma opção mais econômica, principalmente para clínicas com alto faturamento, enquadradas no Anexo V, ou então, que podem se beneficiar da equiparação hospitalar.
Por falar em equiparação hospitalar, você sabia que hospitais contam com carga tributária reduzida, e que muitas clínicas podem obter o mesmo benefício? Continue a leitura para saber mais!
Simples Nacional para clínicas médicas ou Lucro Presumido: conheça a equiparação hospitalar para clínicas médicas
A equiparação hospitalar de clínicas é uma estratégia fiscal que pode transformar completamente a gestão tributária do seu estabelecimento de saúde, abrindo espaço para economias significativas e aumentando a competitividade.
Na prática, equiparar sua clínica a um hospital significa enquadrá-la, para fins fiscais, nas mesmas regras de tributação que se aplicam às instituições hospitalares.
Esse tratamento especial está previsto no artigo 30 da Instrução Normativa 1.234/2012 da Receita Federal, que adota, como referência, as atividades listadas na Resolução RDC nº 50/2002 da Anvisa.
Em vez da alíquota padrão de base de cálculo de 32% sobre a receita para IRPJ e CSLL, as instituições hospitalares — e, por extensão, as clínicas equiparadas — adotam bases muito mais vantajosas: 8% para IRPJ e 12% para CSLL, quando tributadas pelo Lucro Presumido.
Para se qualificar, sua clínica precisa demonstrar que realiza atividades hospitalares essenciais, como atendimento ambulatorial contínuo, procedimentos diagnósticos e terapêuticos, suporte nutricional, dentre outras.
Não se trata apenas de oferecer consultas médicas e odontológicas, mas de integrar um conjunto de serviços que refletem parte do padrão de complexidade e infraestrutura de um hospital.
Como funciona a tributação sob a equiparação?
Ao adotar a equiparação hospitalar, a base de cálculo para IRPJ e CSLL deixa de ser o percentual de 32% da receita bruta e passa a ser de apenas 8% e 12%, respectivamente.
Na prática, isso significa que, para cada R$ 100 mil de faturamento, a clínica tributada como hospital presume R$ 8.000,00 de lucro tributável (e não R$ 32.000,00), reduzindo de forma muito expressiva o valor de imposto devido.
Por exemplo: Uma clínica que fatura R$ 1.000.000,00 por ano, sem equiparação, teria IRPJ calculado sobre R$ 320.000,00; já com equiparação, o IRPJ incide sobre apenas R$ 80.000,00.
Na prática, esse mecanismo reduz não só o IRPJ, mas também a CSLL, diminuindo a carga tributária total e liberando um volume bem significativo de capital de giro para investimentos, como modernização de equipamentos ou ampliação de equipes.
Veja o comparativo, considerando um faturamento anual de R$ 1.000.000,00 por ano, primeiro, calculando o IRPJ e a CSLL em uma clínica médica sem equiparação:
- IRPJ sem equiparação base de cálculo: R$ 1.000.000,00 x 32% = R$ 320.000,00 Apuração do imposto: R$ 320.000,00 x 15% = R$ 48.000,00
- CSLL sem equiparação: R$ 1.000.000,00 x 32% = R$ 320.000,00
- Apuração do imposto: R$ 320.000,00 x 9% = R$ 28.800,00
Agora, calculando o IRPJ e a CSLL para uma clínica médica com equiparação:
- IRPJ com equiparação: R$ 1.000.000,00 x 8% = R$ 80.000,00
- Apuração do imposto: R$ 80.000,00 x 15% = R$ 12.000,00
- CSLL com equiparação: R$ 1.000.000,00 x 12% = R$ 120.000,00
- Apuração do imposto: R$ 120.000,00 x 9% = R$ 10.800,00
Com base neste exemplo, a clínica em questão, saiu de uma tributação de IRPJ e CSLL anual de R$ 76.800,00 para R$ 22.800,00. Estamos falando de uma incrível economia de R$ 54.000,00.
A equiparação hospitalar é uma das estratégias em planejamento tributário que podem ser utilizada quando o Simples Nacional para clínicas médicas não vale mais a pena!
Simples Nacional para clínicas médicas e a importância do planejamento tributário
A busca por excelência no atendimento e pela sustentabilidade financeira faz do planejamento tributário um pilar estratégico para qualquer clínica médica.
Além de reduzir custos com impostos, um bom planejamento garante segurança jurídica, previsibilidade de fluxo de caixa e tranquilidade para investir em equipamentos, infraestrutura e na capacitação da equipe.
A seguir, você vai entender por que planejar os tributos deve ser tão importante quanto escolher a especialidade clínica ou contratar novos profissionais.
Antecipação de obrigações e gestão de fluxo de caixa
Para uma clínica médica, as alíquotas de ISS, IRPJ, CSLL, PIS/COFINS e contribuições patronais podem representar uma fatia significativa da receita.
Sem um planejamento antecipado, essas despesas surgem de forma abrupta no caixa, comprometendo o orçamento de aluguel, compra de insumos e salários.
Ao elaborar um planejamento tributário, a clínica consegue mapear quando e quanto será pago em cada tributo ao longo do ano. Essa previsibilidade transforma o imposto de uma surpresa desagradável em uma despesa programada, permitindo a criação de provisões mensais ou trimestrais.
Escolha do regime tributário mais vantajoso
O Simples Nacional, Lucro Presumido e até mesmo, o Lucro Real atuam de forma distinta sobre a atividade médica, cada um com regras específicas de cálculo e obrigações acessórias.
Sem uma análise criteriosa — que considere volume de receita, margem de lucro, estrutura de custos com folha de pagamento e despesas operacionais — é muito comum que clínicas paguem mais tributos do que deveriam.
Por meio do planejamento tributário, é possível simular cenários para cada regime, levando em conta variações sazonais de faturamento e investimentos previstos em equipamentos ou reformas.
Redução de riscos e conformidade fiscal
A não observância de prazos, alíquotas ou critérios de apuração fiscal pode resultar em autuações, multas e até bloqueios de CNPJ por inconsistências em obrigações acessórias.
O planejamento tributário envolve também o mapeamento de todas as obrigações mensais, trimestrais e anuais, evitando que documentos fiquem em atraso.
Esse monitoramento contínuo antecipa a correção de falhas, reduzindo drasticamente o risco de cair na malha fina ou de ter de pagar tributos retroativos com correção monetária.
Tranquilidade para quem cuida de vidas
Gerir uma clínica médica exige dedicação total ao cuidado dos pacientes, mas a preocupação com prazos fiscais e cálculos de impostos pode tirar seu foco do que realmente importa.
Um bom planejamento tributário oferece a liberdade de dedicar seu tempo e energia ao atendimento, sabendo que a parte burocrática está sob controle.
Imagine começar o mês com uma visão clara do quanto será provisionado para tributos, sem precisar correr atrás de guias de última hora ou enfrentar surpresas de multas.
Essa previsibilidade transforma a rotina de gestores e proprietários: ao invés de lidar com relatórios fiscais estressantes, você concentra sua atenção em melhorar processos clínicos, capacitar a equipe e inovar no atendimento.
Ter um parceiro especializado como o da Contabiliza+ Contabilidade, significa contar com orientação personalizada sempre que surgir uma dúvida.
Quer seja sobre a melhor forma de enquadrar sua clínica no Simples Nacional, a viabilidade de migrar para o Lucro Presumido ou a oportunidade de equiparação hospitalar, você terá respostas claras e práticas, sem linguagem obscura nem cálculos complexos.
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Na Contabiliza+, oferecemos contabilidade especializada e planejamento tributário focados em clínicas médicas, para que você possa reduzir custos, cumprir todas as obrigações fiscais e liberar recursos para investir no crescimento do seu negócio.
Nossa equipe de especialistas avalia seu faturamento, estrutura de custos e oportunidades de benefícios fiscais – como a equiparação hospitalar – para indicar o regime tributário mais vantajoso, elaborar projeções de fluxo de caixa e montar um cronograma de provisão de impostos que evite surpresas no seu caixa.
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