A reforma tributária aprovada no Brasil promete transformar profundamente a forma como os impostos são cobrados sobre bens e serviços. E, se você é psicólogo ou psicóloga, é natural estar se perguntando: será que vou pagar mais ou menos impostos?
A resposta depende de vários fatores, como a forma como você atua hoje (como pessoa física ou jurídica), o regime tributário da sua empresa e o seu modelo de atendimento.
Neste artigo completo, a Contabiliza+ Contabilidade, especialista em profissionais da psicologia, explica em detalhes como a reforma pode impactar seu bolso, suas escolhas profissionais e sua relação com clínicas, pacientes e empresas contratantes.
Índice
O que muda com a reforma tributária?
A reforma tributária aprovada por meio da Emenda Constitucional 132/2023, tem como principal objetivo simplificar a tributação sobre o consumo.
Na prática, ela substitui quatro tributos (PIS, COFINS, ICMS e ISS), por apenas dois:
- CBS – Contribuição sobre Bens e Serviços, de competência federal, que unificará e substituirá o PIS e a COFINS.
- IBS – Imposto sobre Bens e Serviços, de competência estadual e municipal, que unificará e substituirá ICMS e ISS.
A legislação também cria o Imposto Seletivo (IS), para produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, mas que não se aplica aos serviços de psicologia.
A substituição será feita de forma gradual, com um período de transição entre 2026 e 2032.
A alíquota padrão dos novos tributos está estimada entre 26,5% e 27,5%, mas haverá descontos para algumas atividades, incluindo serviços da área da saúde.
Como funciona a tributação dos psicólogos atualmente?
Hoje, os psicólogos podem atuar como:
- Pessoa Física (PF), ou seja, como autônomo;
- Pessoa Jurídica (PJ), com CNPJ, normalmente no regime do Simples Nacional ou Lucro Presumido.
Psicólogo atuando como autônomo (PF)
Neste modelo, o psicólogo presta serviços como contribuinte individual, e a tributação ocorre sobre os rendimentos recebidos. Ele está sujeito:
- Ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), com alíquotas progressivas que vão de 7,5% a até 27,5%;
| Base de cálculo | Alíquota | Parcela a deduzir |
| Até 2.259.20 | Isento | Isento |
| De 2.259,21 até 2.826,65 | 7,50% | R$ 169,44 |
| De 2.826,66 até 3.751,05 | 15% | R$ 381,44 |
| De 3.751,06 até 4.664,68 | 22,50% | R$ 662,66 |
| Acima de 4.664,68 | 27,50% | R$ 896,00 |
- À contribuição previdenciária (INSS), geralmente de 20% sobre a receita (limitada ao teto);
- Ao pagamento de ISS (Imposto Sobre Serviços) ao município em que atua (alíquota entre 2% e 5%).
Não incide sobre o psicólogo PF: PIS, COFINS, ICMS e outros tributos sobre o consumo.
Psicólogo com CNPJ (PJ)
Ao abrir uma empresa, o psicólogo pode optar por regimes tributários simplificados que, em muitos casos, reduzem consideravelmente a carga tributária, desde que sejam bem planejados.
Simples Nacional
É o regime mais comum para psicólogos com CNPJ, principalmente aqueles com faturamento anual até R$ 4,8 milhões.
A alíquota inicial pode ser de apenas 6% sobre o faturamento, desde que:
- A folha de pagamento (incluindo pró-labore) represente 28% ou mais da receita bruta dos últimos 12 meses;
- Nesse caso, a empresa é tributada no Anexo III do Simples Nacional.
| Faixa | Receita em 12 meses | Alíquota | Valor a deduzir |
| 1ª | Até 180.000,00 | 6,00% | — |
| 2ª | De 180.000,01 a 360.000,00 | 11,20% | R$ 9.360,00 |
| 3ª | De 360.000,01 a 720.000,00 | 13,20% | R$ 17.640,00 |
| 4ª | De 720.000,01 a 1.800.000,00 | 16,00% | R$ 35.640,00 |
| 5ª | De 1.800.000,01 a 3.600.000,00 | 21,00% | R$ 125.640,00 |
| 6ª | De 3.600.000,01 a 4.800.000,00 | 33,00% | R$ 648.000,00 |
Caso contrário, a empresa será tributada no Anexo V, com alíquotas iniciais a partir de 15,5%.
| Faixa | Receita em 12 meses | Alíquota | Valor a deduzir |
| 1ª | Até 180.000,00 | 15,50% | — |
| 2ª | De 180.000,01 a 360.000,00 | 18,00% | R$ 4.500,00 |
| 3ª | De 360.000,01 a 720.000,00 | 19,50% | R$ 9.900,00 |
| 4ª | De 720.000,01 a 1.800.000,00 | 20,50% | R$ 17.100,00 |
| 5ª | De 1.800.000,01 a 3.600.000,00 | 23,00% | R$ 62.100,00 |
| 6ª | De 3.600.000,01 a 4.800.000,00 | 30,50% | R$ 540.000,00 |
Lucro Presumido
Outra opção para psicólogos PJ, especialmente com faturamento superior a R$ 4,8 milhões, é o Lucro Presumido. Neste modelo, a carga tributária total gira em torno de:
- 13,33% a 16,33%, dependendo da alíquota de ISS do município.
Esse regime pode ser mais vantajoso do que o Simples em alguns casos, principalmente para quem tem pouca despesa com folha e faturamento mais elevado.
Como a reforma tributária afeta os psicólogos?
O impacto da reforma tributária para os psicólogos dependerá principalmente de dois fatores:
- Se o profissional atua como PF ou PJ;
- Se sua atividade se enquadra nos serviços com direito à redução de base de cálculo.
Redução de 60% na base de cálculo para psicólogos
A boa notícia é que os serviços de psicologia estão na lista de atividades da saúde que terão 60% de desconto na base de cálculo do novo tributo (CBS + IBS).
Com isso, a alíquota efetiva sobre o faturamento dos psicólogos deverá ficar em torno de 10,92%, e não mais os 27,5% da alíquota cheia.
Essa redução será válida tanto para PF quanto para PJ, mas há diferenças importantes na forma como o tributo será apurado e no aproveitamento de créditos tributários.
PF vai pagar mais impostos com a reforma?
Sim. A reforma traz impacto negativo para o psicólogo que atua como pessoa física (autônomo), pelos seguintes motivos:
- Atualmente, o psicólogo PF não paga PIS, Cofins ou ICMS, e somente paga ISS e IRPF;
- Com a reforma, os tributos serão unificados, e todo prestador de serviço – seja PF ou PJ – estará sujeito à CBS e IBS;
- Isso significa que o psicólogo autônomo, que hoje tem uma tributação restrita, passará a pagar um novo imposto sobre o consumo, inclusive quando atuar por meio de recibos.
Mesmo com o desconto de 60% na base de cálculo, a carga tributária efetiva aumentará.
Outro problema: o psicólogo PF não poderá aproveitar créditos tributários da reforma, como ocorre com empresas.
PJ pode sair ganhando com a reforma?
Sim. Para o psicólogo que atua como pessoa jurídica (PJ), a reforma pode ser positiva – ou pelo menos neutra – se for feita uma boa gestão tributária.
As vantagens incluem:
- A possibilidade de compensar créditos tributários gerados na compra de insumos, aluguel, despesas operacionais e administrativas;
- Aproveitamento dos créditos por quem contrata o serviço – hospitais, clínicas e planos de saúde preferirão contratar CNPJs para garantir créditos de IBS/CBS;
- A alíquota efetiva com redução de 60% será mantida também para PJs, o que coloca os psicólogos em igualdade com outros profissionais da saúde.
Assim, o modelo PJ ganha mais competitividade, tanto pela vantagem tributária, quanto pela preferência do mercado.
Por que o CNPJ será mais vantajoso?
Mesmo que a reforma preveja alíquotas padronizadas com reduções para a área da saúde, o CNPJ terá benefícios estruturais importantes:
✅ 1. Aproveitamento de créditos
Com a implementação do sistema não cumulativo, as empresas poderão deduzir os impostos pagos na compra de insumos, serviços, equipamentos e aluguel.
Exemplo:
Se uma clínica gasta R$ 5.000 com aluguel e equipamentos, poderá gerar crédito de parte desses valores para abater da CBS ou IBS a pagar. Já o psicólogo PF, mesmo pagando esses valores, não poderá abater nada.
✅ 2. Transferência de créditos para clientes
Clínicas, hospitais, empresas e operadoras de saúde que contratarem um psicólogo PJ poderão aproveitar o crédito fiscal da operação. Se contratarem um psicólogo PF, esse crédito não poderá ser gerado.
👉 Isso significa que grandes contratantes vão priorizar psicólogos com CNPJ, o que afeta diretamente a competitividade de quem continuar como autônomo.
✅ 3. Planejamento tributário mais eficiente
Com um CNPJ, o psicólogo poderá escolher:
- Permanecer no Simples Nacional, com alíquota reduzida (atividade da saúde)
- Migrar para o Lucro Presumido, se o Simples não for mais vantajoso
- Deduzir mais despesas e reduzir a base de cálculo
- Estruturar a atividade como uma Sociedade Unipessoal de Responsabilidade Limitada (SLU) ou Sociedade entre psicólogos
Tudo isso abre espaço para economias legais e seguras, além de maior margem de lucro.
Comparativo prático: PF x PJ com a reforma tributária
| Modelo | Alíquotas Atuais | Tributação com a Reforma | Créditos Tributários | Contratado por empresas? |
| PF | IRPF + INSS + ISS (sem CBS/IBS) | IRPF + INSS + ISS + CBS/IBS (10,92%) | Não aproveita | Menor preferência |
| PJ | Simples Nacional (a partir de 6%) ou Lucro Presumido (13,33% a 16,33%) | CBS/IBS com base reduzida (10,92%) | Sim | Maior preferência |
Conclusão: Com a reforma, atuar como PJ se tornará ainda mais vantajoso, especialmente para quem deseja aproveitar créditos e se manter competitivo no mercado da saúde.
Quando essas mudanças passam a valer?
A reforma será implementada de forma escalonada, da seguinte maneira:
- 2026 a 2027: Início da cobrança da CBS e IBS com alíquotas de teste
- 2029 a 2032: Extinção progressiva de PIS, COFINS, ICMS e ISS
- 2033: Sistema antigo será totalmente substituído pelo novo modelo
✅ Ou seja, 2026 já será um ano importante para o planejamento tributário. Psicólogos que quiserem economizar devem se preparar já em 2025, com apoio de uma contabilidade especializada.
Como se preparar para as mudanças?
A reforma tributária começa a ser implementada em fases a partir de 2026, com um período de transição até 2032.
No entanto, o ideal é que os psicólogos comecem a se preparar desde já, para não serem surpreendidos com aumento na carga tributária ou perda de competitividade.
Confira algumas dicas da equipe da Contabiliza+ Contabilidade:
1.Avalie a migração de PF para PJ
Se você ainda atua como autônomo, é hora de considerar seriamente a abertura de um CNPJ. Com a reforma, manter-se na pessoa física deixará de ser vantajoso.
Além da carga tributária maior, você ficará em desvantagem competitiva em relação a colegas que atuam como empresa.
2.Escolha o regime tributário ideal
Após a abertura do CNPJ, conte com o apoio de um contador especializado para definir o melhor regime tributário:
- Simples Nacional pode ser ótimo para quem fatura até R$ 20 mil mensais com folha de pagamento proporcional;
- Lucro Presumido pode ser melhor para quem tem poucas despesas com pessoal e um faturamento mais elevado.
3.Aproveite todos os créditos permitidos
A nova sistemática tributária será não cumulativa, o que significa que será possível descontar os impostos pagos na compra de bens e serviços necessários para a atividade.
Mas para isso, é preciso:
- Emitir todas as notas fiscais corretamente;
- Registrar as despesas conforme o padrão fiscal;
- Manter sua contabilidade sempre atualizada.
4.Reavalie sua precificação
Se sua carga tributária for aumentar, será necessário ajustar seus preços para manter a lucratividade.
Com o apoio da Contabiliza+, você pode fazer um planejamento tributário completo, que inclui:
- Estudo de alíquotas;
- Comparativo de regimes;
- Simulações para entender o impacto da reforma nos seus preços.
Conclusão: o psicólogo vai pagar mais imposto com a reforma?
- Se continuar como autônomo, sim.
A carga tributária para psicólogos que atuam como PF vai aumentar com a entrada em vigor do IBS e da CBS, ainda que com desconto na base de cálculo.
Além disso, esses profissionais não terão direito a créditos tributários e perderão competitividade.
- Se migrar para o modelo PJ, a resposta é: depende.
Quem fizer um planejamento tributário inteligente, com suporte profissional, pode até pagar menos impostos do que paga hoje, aproveitando créditos e se beneficiando da base reduzida prevista na reforma.
Na dúvida, o melhor caminho é buscar apoio contábil especializado na área da saúde e psicologia.
Quer saber como pagar menos impostos e se proteger das mudanças da reforma tributária?
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