A declaração pré-preenchida de Imposto de Renda pode ser uma grande aliada na hora de cumprir essa obrigação fiscal com agilidade.
No entanto, é preciso destacar que ela também exige atenção redobrada, pois pode conter informações incompletas, desatualizadas ou até mesmo incorretas.
Neste artigo, você vai entender como funciona essa modalidade, quais cuidados tomar e como garantir uma entrega segura e sem erros.
Índice
O que é a declaração pré-preenchida de Imposto de Renda?
A declaração pré-preenchida de Imposto de Renda é uma funcionalidade disponibilizada pela Receita Federal que permite ao contribuinte iniciar o preenchimento da declaração com diversas informações já inseridas automaticamente.
Esses dados são obtidos por meio de cruzamentos com bancos, instituições financeiras, empresas empregadoras, planos de saúde, cartórios, entre outras fontes.
As informações que costumam vir preenchidas incluem:
- Informes de rendimentos;
- Bens e direitos;
- Dívidas e ônus;
- Pagamentos e doações;
- Dados dos dependentes;
- Informações sobre restituições anteriores.
No entanto, mesmo com toda essa comodidade, é essencial revisar cuidadosamente todos os dados antes de finalizar o envio.
Como utilizar a declaração pré-preenchida?
Para utilizar a declaração pré-preenchida de Imposto de Renda, o contribuinte precisa ter uma conta nível prata ou ouro no portal Gov.br. Com isso, é possível acessar a funcionalidade diretamente no programa da Receita ou no site Meu Imposto de Renda, sem precisar iniciar a declaração do zero.
Passo a passo para acessar:
- Acesse o site ou aplicativo do Meu Imposto de Renda;
- Faça login com sua conta Gov.br com nível prata ou ouro;
- Escolha a opção de declaração pré-preenchida;
- Revise todas as informações com atenção;
- Complete, corrija ou complemente os dados, se necessário;
- Finalize e envie sua declaração.
Quais cuidados devem ser tomados?
Embora a proposta da pré-preenchida seja facilitar, confiar cegamente em todos os dados pode ser um erro. Veja os principais cuidados:
- Conferência de rendimentos: Os informes de rendimentos podem apresentar divergências. É essencial comparar com os informes enviados por empregadores, bancos ou corretoras.
- Verificação de deduções: Despesas médicas, educacionais ou com dependentes muitas vezes não aparecem automaticamente. O contribuinte deve incluir manualmente, com os devidos comprovantes.
- Conferência de bens e direitos: Imóveis, veículos e investimentos devem estar corretamente registrados. Informações como valor, local, percentual de propriedade e descrição precisam ser revisadas com cuidado.
- Confirmação de dependentes: Dependentes precisam atender aos critérios legais e todas as informações devem ser checadas para evitar conflitos com outras declarações (em caso de guarda compartilhada, por exemplo).
Quem está obrigado a declarar o Imposto de Renda 2025?
A entrega da declaração é obrigatória para quem, em 2024, se enquadrou em pelo menos uma das condições abaixo:
- Recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 33.888,00;
- Recebeu rendimentos isentos, não tributáveis ou exclusivamente na fonte superiores a R$ 200.000,00;
- Realizou operações na Bolsa de Valores acima de R$ 40.000 ou teve lucro tributável;
- Obteve ganho de capital na venda de bens;
- Teve receita bruta superior a R$ 169.440,00 em atividade rural;
- Tinha, até 31/12, bens ou direitos acima de R$ 800.000,00;
- Passou a residir no Brasil em 2024 e encontrava-se nessa condição em 31/12;
- Declarou bens no exterior, trusts ou atualizou imóveis pelo valor de mercado.
Declaração completa ou simplificada?
Declaração completa ou simplificada, essa é uma das principais dúvidas em meio aos contribuintes que desejam reduzir o valor do IR a pagar, aumentar uma possível restituição, bem como, evitar quaisquer tipos de problemas com o fisco, dentre eles, a temida malha fina do Imposto de Renda.
- Declaração completa: É recomendada para quem possui muitas despesas dedutíveis, como gastos médicos e com educação. É possível incluir todos os dependentes e detalhar deduções.
- Declaração simplificada: Aplica um desconto padrão de 20% sobre os rendimentos tributáveis, limitado a um teto. É ideal para quem tem poucas despesas dedutíveis.
O próprio sistema da Receita aponta qual das duas é mais vantajosa, mas vale conferir os cálculos.
Quais são as despesas dedutíveis?
Conhecer as deduções permitidas é fundamental para pagar menos ou aumentar a restituição. São elas:
- Despesas médicas (sem limite);
- Educação do titular ou dependentes (limitada a R$ 3.561,50 por pessoa);
- Previdência oficial e privada (até 12% da renda tributável);
- Dependentes (dedução de R$ 2.275,08 por dependente);
- Doações incentivadas (de acordo com a legislação);
- Contribuições à previdência de empregadas domésticas (quando aplicável).
Quem pode ser dependente?
Os dependentes devem seguir critérios específicos. Veja os dependentes permitidos:
- Cônjuge ou companheiro com união estável;
- Filhos e enteados até 21 anos ou até 24 anos se estudantes;
- Filhos com deficiência, sem limite de idade;
- Irmãos, netos e bisnetos sob guarda judicial;
- Pais, avós e bisavós com renda inferior a R$ 22.847,76;
- Menores pobres sob guarda ou pessoas incapacitadas sob curatela.
Incluir dependentes permite somar despesas dedutíveis, mas também exige declarar os rendimentos que eles tiveram, o que pode impactar no cálculo do IR.
O que acontece se não declarar ou ocultar informações?
A omissão de informações ou o não envio da declaração pode acarretar:
- Multa mínima de R$ 165,74, podendo chegar a 20% do imposto devido;
- Bloqueio do CPF, o que impede financiamentos, emissão de passaporte e movimentações bancárias;
- Risco de cair na malha fina;
- Autuações por sonegação fiscal.
Por isso, é fundamental fazer uma entrega correta, com conferência de todos os dados.
A importância da conferência dos dados da declaração pré-preenchida de Imposto de Renda
Embora a declaração pré-preenchida de Imposto de Renda represente uma inovação tecnológica que facilita o preenchimento, é fundamental que o contribuinte revise atentamente todas as informações.
Os dados vêm de diversas fontes, como bancos, empregadores, planos de saúde, e operadoras de previdência. Sendo assim, por mais que o Fisco atue como canal receptor, os erros de preenchimento de terceiros podem impactar diretamente o contribuinte.
Além disso, é responsabilidade do contribuinte garantir a veracidade dos dados enviados. Se houver divergência, é ele quem será cobrado, não a instituição que enviou a informação errada.
Informações que a declaração pré-preenchida costuma trazer
A seguir, veja quais informações geralmente constam na declaração pré-preenchida de Imposto de Renda:
- Rendimentos do trabalho assalariado informados pelos empregadores;
- Rendimentos financeiros enviados por bancos e corretoras;
- Rendimentos de aluguéis pagos por empresas (se houver);
- Pagamentos efetuados a planos de saúde e clínicas médicas, quando informados pelas instituições;
- Bens e direitos previamente declarados no ano anterior;
- Créditos de restituição de anos anteriores;
- DARFs pagos referentes ao carnê-leão.
Apesar da variedade, há limitações. Nem todas as fontes conseguem enviar os dados dentro do prazo da Receita. Por isso, a revisão manual ainda é essencial.
Exemplos de erros comuns na declaração pré-preenchida
A Receita Federal alerta que os contribuintes são os responsáveis pelas informações que prestam ao fisco.
Sendo assim, cabe aos contribuintes que optarem pela declaração pré-preenchida, conferir todos os dados que aparecem na declaração, corrigindo, excluindo ou adicionado o que for necessário.
Além disso, para fins de conferência e comprovação em uma possível solicitação da autoridade fiscal, é necessário guardar por 5 anos, todos os documentos que comprovem as informações informadas.
Dito isso, veja quais são os erros mais comuns na declaração pré-preenchida:
✅ 1. Rendimentos omitidos ou divergentes
Exemplo: Um contribuinte trabalha em duas empresas, mas apenas uma informou corretamente os rendimentos à Receita. A pré-preenchida só mostra o salário de uma delas.
📌 Problema: O contribuinte pode acabar omitindo rendimentos — o que é um erro grave e pode levar à malha fina.
🔍 Como evitar: Sempre compare os informes de rendimentos recebidos das empresas com os valores preenchidos automaticamente no sistema.
✅ 2. Despesas médicas não informadas
Exemplo: O contribuinte pagou diversas consultas médicas e psicoterapia no ano, mas esses valores não aparecem na declaração pré-preenchida.
📌 Problema: A Receita só inclui despesas informadas por clínicas e profissionais que enviaram a DMED corretamente.
🔍 Como evitar: Guarde todos os recibos com CPF/CNPJ do prestador e insira essas despesas manualmente na declaração.
✅ 3. Dependente com dados inconsistentes
Exemplo: O contribuinte inclui um filho como dependente, mas o CPF está errado ou o mesmo dependente foi usado na declaração de outro responsável (ex-cônjuge, por exemplo).
📌 Problema: Isso pode gerar inconsistência no cruzamento de dados.
🔍 Como evitar: Verifique CPF, nome completo e se o dependente está sendo declarado em duplicidade.
✅ 4. Bens e direitos desatualizados ou ausentes
Exemplo: O contribuinte comprou um carro em 2024, mas o veículo não aparece na ficha de Bens e Direitos da declaração pré-preenchida.
📌 Problema: Como a compra foi recente, pode não ter sido informada pelo Detran ou banco (em caso de financiamento).
🔍 Como evitar: Adicione o bem manualmente com o valor da compra e guarde os documentos.
✅ 5. Rendimento de investimentos omitidos
Exemplo: O contribuinte tem CDB e LCI em diferentes bancos, mas apenas um deles enviou corretamente os informes à Receita.
📌 Problema: Parte dos rendimentos não aparece na pré-preenchida.
🔍 Como evitar: Sempre verifique os informes de rendimento de todas as instituições financeiras em que você possui conta ou investimento.
✅ 6. Pagamentos duplicados
Exemplo: Um plano de saúde enviado via DMED é incluído automaticamente na pré-preenchida. O contribuinte, sem perceber, insere a mesma despesa manualmente.
📌 Problema: Isso resulta em dedução duplicada, o que pode ser interpretado como tentativa de fraude.
🔍 Como evitar: Veja se a despesa médica já consta no sistema antes de preencher por conta própria.
✅ 7. Doações ou pensão alimentícia omitidas
Exemplo: O contribuinte fez doações dedutíveis ou pagou pensão judicialmente determinada, mas esses dados não aparecem na pré-preenchida.
📌 Problema: Tais valores podem ser deduzidos, e não incluí-los significa pagar mais imposto do que o necessário.
🔍 Como evitar: Inclua manualmente e guarde os comprovantes, como recibos, depósitos e decisões judiciais.
✅ 8. Falta de atualização de saldo bancário
Exemplo: O saldo de contas bancárias em 31/12/2024 aparece com valores divergentes dos extratos.
📌 Problema: Isso ocorre quando a instituição envia dados errados ou incompletos.
🔍 Como evitar: Compare os valores com os extratos bancários do último dia útil do ano.
✅ 9. Omissão de DARFs pagos pelo carnê-leão
Exemplo: O contribuinte prestou serviços como autônomo, pagou os DARFs corretamente, mas os pagamentos não aparecem na pré-preenchida.
📌 Problema: Pode parecer que os valores recebidos não foram tributados.
🔍 Como evitar: Informe os DARFs manualmente com os dados corretos (código de receita, competência, valor).
✅ 10. Ausência de informações de imóveis financiados
Exemplo: O contribuinte comprou um apartamento financiado e a informação não consta na pré-preenchida.
📌 Problema: Nem sempre bancos ou cartórios repassam as informações corretamente.
🔍 Como evitar: Insira manualmente os dados do imóvel (valor de entrada, financiamento, parcelas pagas) e descreva corretamente na ficha de Bens e Direitos.
Esses são apenas alguns dos erros mais comuns. Mesmo usando a declaração pré-preenchida de Imposto de Renda, é indispensável revisar todos os dados e contar com o apoio de profissionais especializados.
Como corrigir informações na declaração pré-preenchida de Imposto de Renda
Se o contribuinte perceber erros na declaração pré-preenchida de Imposto de Renda, ele pode corrigi-los de forma simples pelo próprio programa da Receita. Veja os passos:
- Excluir valores incorretos: caso uma despesa ou rendimento esteja duplicado ou errado, basta excluí-lo manualmente.
- Editar campos: é possível alterar diretamente os valores em qualquer campo (rendimentos, bens, despesas etc.).
- Incluir dados ausentes: mesmo que não apareçam na pré-preenchida, despesas dedutíveis podem ser adicionadas com comprovante.
- Importar informações da declaração anterior: caso algum dado esteja ausente, é possível trazer os dados do ano anterior e editar conforme necessário.
Declaração pré-preenchida e malha fina: como se proteger
Embora seja mais prática, a declaração pré-preenchida de Imposto de Renda não elimina o risco de cair na malha fina, especialmente se o contribuinte não revisar os dados.
Veja algumas dicas para evitar esse problema:
✅ Verifique se todos os rendimentos foram informados corretamente;
✅ Confira as deduções médicas com base nos recibos e notas fiscais;
✅ Confirme o CPF dos dependentes e se eles constam corretamente nas despesas dedutíveis;
✅ Evite omitir aplicações financeiras ou aluguéis recebidos, mesmo que pequenos;
✅ Atualize os valores de bens e direitos conforme os comprovantes de compra e venda.
Como utilizar a declaração pré-preenchida no portal e-CAC
Para utilizar a declaração pré-preenchida de Imposto de Renda, o contribuinte precisa acessar o sistema da Receita Federal pelo Portal e-CAC.
O passo a passo é o seguinte:
- Acesse o site: https://www.gov.br/receitafederal
- Faça login com conta Gov.br com nível prata ou ouro.
- Vá até a aba “Imposto de Renda” e selecione a opção para iniciar a declaração pré-preenchida.
- Revise todos os dados fornecidos pela Receita e complemente com informações que não foram captadas.
- Finalize e envie sua declaração.
A pré-preenchida também pode ser acessada por meio do Programa Gerador da Declaração (PGD) instalado no computador ou por meio do app “Meu Imposto de Renda”.
Vantagens e desvantagens da declaração pré-preenchida
Confira um resumo com as principais vantagens e desvantagens relacionadas a opção pela declaração pré-preenchida de Imposto de Renda:
Vantagens:
✔️ Mais agilidade no preenchimento;
✔️ Menor chance de esquecer informações importantes;
✔️ Evita erros de digitação;
✔️ Aumenta a segurança das informações com uso da conta Gov.br.
Desvantagens:
⚠️ Ainda exige conferência manual;
⚠️ Nem todas as fontes informam corretamente os dados;
⚠️ Pode omitir deduções importantes, como educação ou saúde;
⚠️ Não elimina a responsabilidade do contribuinte sobre erros.
Quando vale a pena usar a declaração pré-preenchida?
A declaração pré-preenchida de Imposto de Renda é recomendada principalmente para:
- Contribuintes com fontes de renda formais e bem documentadas;
- Aqueles que não têm muitas despesas médicas ou variáveis não informadas à Receita;
- Pessoas que querem praticidade, mas têm tempo para revisar;
- Contribuintes que contam com apoio de um contador para revisar e completar as informações.
Conclusão: conte com a Contabiliza+ para evitar erros
Como você viu, a declaração pré-preenchida de Imposto de Renda é um avanço que traz praticidade, mas ainda exige atenção e responsabilidade.
Mesmo com todas as facilidades oferecidas pela Receita Federal, a revisão e a complementação correta das informações são essenciais para evitar problemas com o fisco.
Cada dado deve ser validado com documentos e recibos — e qualquer descuido pode levar à malha fina ou multas.
Se você quer declarar seu Imposto de Renda com tranquilidade, sem correr riscos e aproveitando ao máximo os benefícios legais, conte com a equipe especializada da Contabiliza+ Contabilidade.
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