Checklist para abertura de um consultório de psicologia

Checklist para abertura de um consultório de psicologia

Abrir um consultório de psicologia é um passo importante na carreira de muitos profissionais da área. Seja após conquistar estabilidade financeira, buscar mais autonomia ou atender a uma crescente demanda por atendimentos personalizados, ter o próprio espaço é sinônimo de independência e de construção de uma marca profissional.

No entanto, a abertura de um consultório requer planejamento, organização e atenção às exigências legais, contábeis e éticas do Conselho Federal de Psicologia (CFP).

Por isso, neste artigo da Contabiliza+ Contabilidade, você confere um checklist completo para abertura de um consultório de psicologia, incluindo aspectos burocráticos, estruturais e administrativos que vão ajudar você a começar do jeito certo.

1. Planejamento inicial: defina sua estratégia de atuação

Antes de lidar com a parte burocrática, o primeiro passo é o planejamento estratégico do negócio. Isso inclui refletir sobre os seguintes pontos:

  • Público-alvo: Você pretende atender adultos, casais, adolescentes, crianças, empresas ou outro nicho específico?

  • Tipo de atendimento: Será presencial, online, ou híbrido?

  • Especialidade e posicionamento: Clínica geral, terapia cognitivo-comportamental (TCC), psicanálise, terapia de casal, entre outras.

  • Localização: Um espaço de fácil acesso, próximo a transporte público e com ambiente acolhedor faz toda a diferença.

  • Investimento inicial: O custo de montar um consultório de psicologia pode variar de acordo com o tamanho do espaço, equipamentos, mobiliário e licenças necessárias.

Um bom plano de negócios ajuda a prever gastos, analisar concorrência e projetar receitas, evitando surpresas no início das operações. Um contador especializado pode apoiar na elaboração desse plano e na escolha do regime tributário mais vantajoso.

2. Escolha do modelo de formalização: autônomo ou CNPJ?

O psicólogo pode atuar tanto como autônomo (pessoa física) quanto como pessoa jurídica (CNPJ). No entanto, abrir uma empresa geralmente é a opção mais vantajosa, tanto pela credibilidade quanto pela economia tributária.

Psicólogo autônomo

Trabalhar como autônomo é possível, mas implica em recolher o Carnê-Leão mensalmente e pagar IRPF, INSS e ISS municipal de forma individual.

Além disso, o psicólogo precisa se cadastrar na prefeitura para poder emitir Nota Fiscal de Serviços. Essa forma de atuação costuma ser mais viável no início da carreira, quando o volume de atendimentos ainda é pequeno.

Psicólogo com CNPJ

Ao abrir um CNPJ, o psicólogo pode atuar como Sociedade Uniprofissional ou Sociedade Limitada (LTDA), dependendo se o consultório terá só um profissional ou mais sócios.

Com o CNPJ, é possível optar por regimes como o Simples Nacional, que reduz a carga tributária para clínicas de pequeno e médio porte, e facilita obrigações fiscais e contábeis.

Além disso, o CNPJ transmite mais credibilidade a pacientes e empresas, permite firmar contratos corporativos e facilita o acesso a linhas de crédito específicas para clínicas de saúde.

3. Registro profissional e ético

Nenhum consultório de psicologia pode funcionar sem o devido registro no Conselho Regional de Psicologia (CRP). O CRP é o órgão responsável por fiscalizar a atuação dos profissionais e garantir que o atendimento siga os princípios éticos da profissão.

  • O psicólogo deve estar com sua inscrição ativa e regularizada no CRP.

  • Se abrir uma clínica com outros profissionais, o CNPJ também precisa de registro de pessoa jurídica junto ao CRP.

  • O local deve seguir as Normas Técnicas do Conselho Federal de Psicologia, que tratam da privacidade, sigilo profissional e estrutura adequada para atendimentos.

Esse registro é obrigatório e costuma ser solicitado junto à documentação de alvará de funcionamento.

4. Escolha do regime tributário e CNAE adequado

Com o apoio de uma contabilidade especializada, o psicólogo deve escolher o regime tributário mais vantajoso para seu consultório. As opções mais comuns são:

  • Simples Nacional: Ideal para a maioria dos psicólogos, com alíquota inicial em torno de 6%, dependendo do volume de faturamento.

  • Lucro Presumido: Indicado para clínicas maiores, com faturamento elevado, e que não se enquadram nas primeiras faixas do Simples Nacional..

  • Lucro Real: Utilizado por grandes empresas, como clínicas de grande porte e hospitais.

Além disso, é necessário escolher o CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) correto. O código utilizado para consultórios de psicologia é o 8690-9/01 – Atividades de psicologia e psicanálise. Esse código enquadra o consultório na categoria de serviços de saúde e permite emissão de notas fiscais corretamente.

5. Documentos necessários para abertura da empresa

Para registrar oficialmente o consultório, o psicólogo precisará reunir alguns documentos pessoais e do local onde será prestado o serviço. Entre eles:

  • RG e CPF do titular ou sócios;

  • Comprovante de endereço residencial e comercial;

  • IPTU ou contrato de locação do imóvel onde funcionará o consultório;

  • Cópia do registro profissional no CRP;

  • Contrato social (em caso de sociedade);

  • Termo de responsabilidade técnica (para clínicas com múltiplos profissionais).

Com esses documentos, o contador fará o processo de abertura de CNPJ junto à Receita Federal, inscrição municipal, registro na Junta Comercial, solicitação de alvará de funcionamento e emissão de certificados digitais.

6. Alvarás e licenças obrigatórias

A área da saúde é uma das mais reguladas, por isso é essencial atender todas as exigências legais. Os principais documentos e licenças são:

  • Alvará de Funcionamento: Emitido pela Prefeitura, autoriza o início das atividades;

  • Licença da Vigilância Sanitária: Atesta que o local está em condições adequadas de higiene, estrutura e acessibilidade;

  • Certificado do Corpo de Bombeiros: Comprova que o espaço tem saídas de emergência e extintores adequados;

  • Registro de Pessoa Jurídica no CRP: Obrigatório para clínicas com CNPJ;

  • Inscrição Municipal: Necessária para emissão de notas fiscais de serviços.

Esses documentos garantem o funcionamento legal e seguro do consultório, evitando multas e interdições.

7. Estrutura física e layout do consultório

A escolha do espaço físico deve refletir o propósito da psicologia: acolhimento, sigilo e conforto. Alguns elementos são essenciais:

  • Sala de atendimento: Deve ser reservada, com isolamento acústico e iluminação agradável;

  • Mobiliário: Invista em cadeiras confortáveis, mesa de trabalho, estante para livros e decoração que transmita calma;

  • Recepção: Mesmo em consultórios pequenos, é importante ter um espaço de espera organizado;

  • Banheiro acessível: Obrigatório conforme as normas da Anvisa e do Corpo de Bombeiros;

  • Identidade visual: Ter uma placa discreta, papel timbrado e materiais padronizados reforça a imagem profissional.

Para quem atua de forma híbrida, vale considerar o investimento em um espaço que possa ser usado tanto presencialmente quanto para atendimentos online, com boa iluminação e isolamento sonoro.

8. Equipamentos e tecnologia

Embora o consultório de psicologia não demande equipamentos complexos, alguns itens são indispensáveis para o dia a dia:

  • Computador ou notebook;

  • Impressora multifuncional;

  • Sistema de gestão de pacientes (agenda, prontuário eletrônico e emissão de recibos);

  • Plataforma de videoconferência segura para atendimentos online;

  • Internet de qualidade;

  • Sistema de pagamento eletrônico ou link de cobrança.

Muitos psicólogos têm adotado ferramentas digitais para otimizar o tempo e reduzir tarefas administrativas, como softwares de agendamento automático, lembretes por WhatsApp e controle de receitas e despesas.

9. Contabilidade e gestão financeira

Ter uma contabilidade especializada em profissionais da saúde é fundamental. Um contador experiente vai cuidar da abertura da empresa, emissão de notas fiscais, apuração de impostos, declarações acessórias e planejamento tributário.

Além disso, é importante manter uma gestão financeira organizada, separando as finanças pessoais das profissionais. Tenha uma conta bancária empresarial e registre todas as receitas e despesas. Isso facilita o controle do fluxo de caixa e permite planejar investimentos futuros.

Outro ponto importante é o pró-labore, valor mensal que o psicólogo retira como remuneração por seu trabalho. Ele deve ser formalizado na contabilidade e recolher o INSS sobre esse valor, garantindo benefícios previdenciários.

10. Precificação dos atendimentos

Definir o valor das consultas é uma etapa estratégica e deve considerar:

  • Custos fixos (aluguel, energia, internet, contabilidade, licenças);

  • Custos variáveis (materiais, plataformas, deslocamentos);

  • Valor de mercado na região e especialidade;

  • Público-alvo e poder aquisitivo;

  • Tempo médio por atendimento.

Um erro comum é definir o preço apenas com base na concorrência. O ideal é usar uma planilha de custos e rentabilidade para garantir que o valor cubra as despesas e gere lucro. O contador pode ajudar a calcular esse ponto de equilíbrio.

11. Marketing e presença digital

Com a popularização das redes sociais, o marketing se tornou uma ferramenta poderosa para psicólogos que desejam atrair pacientes e fortalecer sua marca pessoal. Algumas estratégias eficazes incluem:

  • Criar um perfil profissional no Instagram e LinkedIn;

  • Produzir conteúdos educativos sobre saúde mental;

  • Ter um site com informações sobre o consultório e formulário de contato;

  • Investir em Google Meu Negócio para aparecer nas buscas locais;

  • Fazer parcerias com outros profissionais da área da saúde.

É importante lembrar que o Código de Ética Profissional do Psicólogo estabelece limites claros sobre divulgação. A publicidade deve ser informativa e jamais sensacionalista, evitando promessas de resultados ou exposição de pacientes.

12. Atendimento online e telepsicologia

A modalidade de atendimento online está autorizada pelo Conselho Federal de Psicologia, mas exige cadastro no sistema e-Psi. O psicólogo precisa informar ao CRP que realiza atendimentos virtuais e seguir as normas éticas específicas, como sigilo e segurança dos dados.

O ideal é utilizar plataformas seguras, com criptografia, e manter um ambiente tranquilo e profissional durante as consultas. Essa modalidade amplia o alcance do consultório, permitindo atender pacientes de outras cidades e até de outros países.

13. Gestão de prontuários e sigilo profissional

Todo consultório deve adotar boas práticas de registro e armazenamento de informações. O prontuário psicológico é um documento confidencial e deve ser mantido em local seguro, físico ou digital, conforme as orientações do CFP.

O profissional deve assegurar:

  • A integridade das informações;

  • O sigilo absoluto dos dados do paciente;

  • A guarda dos prontuários por, no mínimo, 5 anos após o término do atendimento.

Softwares de gestão específicos para psicólogos podem facilitar esse processo, permitindo controle eletrônico e seguro das informações.

14. Avaliação de resultados e crescimento do consultório

Depois de estruturado e em funcionamento, é hora de acompanhar indicadores de desempenho. Analise:

  • Taxa de ocupação da agenda;

  • Faturamento mensal e lucro líquido;

  • Número de novos pacientes e taxa de retenção;

  • Satisfação dos clientes.

Com essas informações, é possível planejar o crescimento sustentável do consultório, contratar assistentes, ampliar o espaço físico e investir em novas especializações.

15. Contratação de equipe e parcerias estratégicas

À medida que o consultório de psicologia cresce, pode ser necessário contar com o apoio de outros profissionais. Mesmo que o início seja individual, é comum que psicólogos ampliem a estrutura com o tempo, formando uma clínica multiprofissional.

Nesses casos, é importante definir a forma de trabalho dos colaboradores, se serão sócios, prestadores de serviço ou contratados CLT. Cada modelo tem implicações diferentes em relação a tributos, direitos trabalhistas e responsabilidades.

Além disso, parcerias com nutricionistas, psiquiatras, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais agregam valor ao atendimento, permitindo oferecer uma abordagem mais integrada à saúde mental. Essa estratégia também ajuda a fortalecer a reputação do consultório e ampliar o número de indicações.

Vale a pena a formalização como psicólogo PJ?

Sim, e por diversos motivos. A formalização como psicólogo PJ (Pessoa Jurídica) é uma das decisões mais vantajosas para quem deseja estruturar a carreira e reduzir a carga tributária de forma legal.

Ao abrir um CNPJ, o profissional pode optar pelo Simples Nacional, onde as alíquotas iniciais partem de cerca de 6%, muito menores do que os mais de 20% pagos por autônomos via Carnê-Leão e INSS.

Além disso, o CNPJ oferece maior credibilidade diante de pacientes, empresas e convênios, permite emissão de notas fiscais e amplia o acesso a linhas de crédito e benefícios empresariais.

Outro ponto relevante é a possibilidade de deduzir despesas operacionais como aluguel, internet e energia, otimizando o lucro líquido do consultório. Portanto, formalizar-se como PJ é uma escolha inteligente para quem quer crescer com segurança financeira e reconhecimento profissional.

Conclusão

Abrir um consultório de psicologia é um projeto que une propósito, técnica e gestão. Com o devido planejamento e apoio contábil, é possível estruturar um negócio sólido, ético e rentável.

A Contabiliza+ Contabilidade é especialista em contabilidade para psicólogos e profissionais da saúde, cuidando de todas as etapas, desde a abertura do CNPJ, registro no CRP, escolha do regime tributário e emissão de notas fiscais, até o planejamento financeiro para reduzir impostos e maximizar resultados.

Se você quer abrir seu consultório com segurança e evitar erros burocráticos, fale com a equipe da Contabiliza+ e conte com especialistas para acompanhar cada etapa da sua jornada empreendedora na psicologia.

Psicólogo autônomo ou PJ: qual paga menos impostos?

Psicólogo autônomo ou PJ qual paga menos impostos

O tema “psicólogo autônomo ou PJ: qual paga menos impostos?” é uma dúvida recorrente entre profissionais da saúde mental que desejam equilibrar a liberdade da atuação independente com a busca por uma carga tributária menor.

Com o aumento da formalização na área e as novas exigências de emissão de recibos e notas fiscais eletrônicas, escolher entre ser pessoa física (autônomo) ou pessoa jurídica (CNPJ) impacta diretamente o quanto o profissional paga de impostos e o quanto sobra no bolso ao final do mês.

Neste artigo, a Contabiliza+ Contabilidade explica de forma prática as diferenças entre atuar como autônomo e como PJ, quanto se paga de impostos em cada modelo, e em quais situações abrir um CNPJ é mais vantajoso para o psicólogo. Ao final, você entenderá claramente qual opção é mais econômica e segura para o seu consultório ou clínica.

Diferença entre psicólogo autônomo e psicólogo PJ

O psicólogo autônomo é aquele que atua como pessoa física, prestando serviços diretamente aos pacientes sem ter uma empresa formalizada. Ele pode atender em seu próprio consultório, em coworkings de saúde, ou até em domicílio, e emite recibos para comprovar os atendimentos realizados.

Já o psicólogo PJ (pessoa jurídica) tem um CNPJ aberto, podendo atuar como empresa individual (como o modelo Sociedade Limitada Unipessoal – SLU) ou em sociedade com outros profissionais da área, geralmente no regime do Simples Nacional.

Essa diferença simples muda completamente a forma de tributação, já que o psicólogo autônomo paga seus impostos como pessoa física, via Carnê-Leão e Imposto de Renda anual, enquanto o psicólogo PJ paga tributos como empresa, com base no faturamento mensal.

Como funciona a tributação do psicólogo autônomo

O psicólogo autônomo é tributado como pessoa física, o que significa que ele precisa recolher IRPF (Imposto de Renda Pessoa Física) mensalmente pelo Carnê-Leão.

O cálculo é feito sobre o lucro presumido do profissional, ou seja, sobre a diferença entre o valor recebido e as despesas dedutíveis comprovadas com o exercício da profissão.

Impostos e contribuições pagos pelo psicólogo autônomo

O autônomo paga três tributos principais:

  1. Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF): Com alíquotas progressivas que variam de 7,5% a 27,5%, conforme a renda mensal.

  2. INSS (Instituto Nacional do Seguro Social): Contribuição obrigatória que varia entre 11% e 20% sobre o rendimento, dependendo da forma de recolhimento (como contribuinte individual ou facultativo).

  3. ISS (Imposto Sobre Serviços): Tributo municipal que normalmente varia entre 2% e 5%, de acordo com a cidade em que o psicólogo atua.

Esses valores podem parecer baixos isoladamente, mas somados podem ultrapassar 35% da renda mensal, especialmente para profissionais com faturamento acima de R$ 6.000,00 mensais.

Exemplo prático de tributação como autônomo

Imagine que um psicólogo autônomo fature R$ 10.000,00 por mês com atendimentos particulares. Considerando uma cidade com ISS de 3% e o desconto padrão de despesas de R$ 1.500,00, a conta ficaria assim:

  • Base de cálculo do IRPF: R$ 8.500,00

  • IR mensal (27,5%): R$ 2.337,50

  • INSS (20%): R$ 1.700,00

  • ISS (3%): R$ 300,00

Total de tributos: R$ 4.337,50
Carga tributária efetiva: Cerca de 43% da renda líquida.

Além disso, o psicólogo precisa fazer declarações mensais no Carnê-Leão e informar os rendimentos na Declaração de Imposto de Renda anual. Ou seja, além de pagar mais, ele também tem uma rotina fiscal mais trabalhosa.

Como funciona a tributação do psicólogo PJ

Ao abrir um CNPJ, o psicólogo passa a recolher tributos como pessoa jurídica, normalmente pelo Simples Nacional, regime simplificado que unifica oito impostos federais, estaduais e municipais em uma única guia.

A grande vantagem está nas alíquotas mais baixas e na possibilidade de deduzir diversas despesas operacionais da empresa. Além disso, a contabilidade regular permite uma melhor organização financeira e mais oportunidades de crescimento.

Regimes de tributação possíveis

O psicólogo PJ pode optar por três regimes principais, dependendo do porte e da estrutura do negócio:

  1. Simples Nacional: O mais comum e vantajoso para psicólogos que faturam até R$ 4,8 milhões por ano.

  2. Lucro Presumido: Indicado para quem ultrapassa o limite do Simples ou tem margem de lucro elevada.

  3. Lucro Real: Aplicável a empresas de grande porte, com faturamento superior a R$ 78 milhões anuais.

Para a maioria dos profissionais liberais, o Simples Nacional é o regime mais atrativo.

Psicólogo no Simples Nacional: quanto se paga de imposto?

O Simples Nacional divide as atividades de serviços em anexos, que determinam a faixa de alíquota inicial e a forma de cálculo. Para os psicólogos, a atividade se enquadra no Anexo III ou Anexo V, dependendo da folha de pagamento (Fator R).

  • Anexo III (com Fator R aplicado): Alíquota inicial de 6%, válida para psicólogos que destinam mais de 28% da receita bruta à folha de pagamento (incluindo pró-labore e encargos).

Faixa Receita em 12 meses Alíquota Valor a deduzir
Até 180.000,00 6,00%
De 180.000,01 a 360.000,00 11,20% R$ 9.360,00
De 360.000,01 a 720.000,00 13,20% R$ 17.640,00
De 720.000,01 a 1.800.000,00 16,00% R$ 35.640,00
De 1.800.000,01 a 3.600.000,00 21,00% R$ 125.640,00
De 3.600.000,01 a 4.800.000,00 33,00% R$ 648.000,00
  • Anexo V (sem Fator R): Alíquota inicial de 15,5%, para quem gasta menos de 28% com folha.

Faixa Receita em 12 meses Alíquota Valor a deduzir
Até 180.000,00 15,50%
De 180.000,01 a 360.000,00 18,00% R$ 4.500,00
De 360.000,01 a 720.000,00 19,50% R$ 9.900,00
De 720.000,01 a 1.800.000,00 20,50% R$ 17.100,00
De 1.800.000,01 a 3.600.000,00 23,00% R$ 62.100,00
De 3.600.000,01 a 4.800.000,00 30,50% R$ 540.000,00

Importante: Considerando as deduções do regime, a alíquota efetiva máxima do Simples Nacional para psicólogos é de 19,50%.

Exemplo prático de tributação no Simples Nacional

Imagine o mesmo psicólogo com faturamento de R$ 10.000,00 por mês, agora com um CNPJ optante pelo Simples Nacional.

Se ele tiver folha de pagamento acima de 28% da receita, se enquadra no Anexo III, pagando apenas 6% de imposto:

  • Valor do imposto mensal: R$ 10.000 x 6% = R$ 600,00.

Além disso, o INSS patronal (20%) é substituído por uma contribuição simplificada dentro da guia DAS. Sendo assim, a economia é gigantesca: o mesmo profissional que pagava mais de R$ 4.300,00 como autônomo, agora paga cerca de R$ 600,00 mensais como PJ, uma redução de mais de 80% na carga tributária.

E se não atingir o Fator R?

Caso o psicólogo não tenha funcionários e não consiga atingir o Fator R, ele ficará no Anexo V, cuja alíquota inicial é 15,5%. Mesmo assim, a carga tributária continua menor do que a de pessoa física:

  • Valor do imposto mensal: R$ 10.000 x 15,5% = R$ 1.550,00.

Ou seja, ainda assim a tributação como PJ é mais econômica e simplificada.

Outras vantagens de atuar como PJ

Além da redução expressiva de impostos, há outras vantagens importantes ao formalizar o consultório com CNPJ:

1. Possibilidade de emitir notas fiscais e atender convênios

Muitos pacientes e empresas de saúde exigem nota fiscal para reembolso ou parceria.

O psicólogo PJ pode emitir NFS-e (Nota Fiscal de Serviços Eletrônica) de forma simples e padronizada, inclusive integrando com sistemas como o Receita Saúde, usado por diversas clínicas e planos.

2. Dedução de despesas operacionais

Ao ter uma contabilidade ativa, o psicólogo PJ pode deduzir despesas como:

  • Aluguel do consultório,

  • Internet e energia,

  • Materiais de escritório,

  • Softwares de gestão,

  • Honorários contábeis,

  • E até custos de capacitação e marketing.

Essas deduções reduzem a base de cálculo dos impostos e permitem um controle financeiro mais profissional.

3. Organização e planejamento tributário

Com a ajuda de uma contabilidade especializada, o psicólogo PJ pode planejar o pró-labore, dividendos e despesas para pagar menos impostos de forma totalmente legal.

Além disso, é possível simular cenários e entender qual regime é mais vantajoso conforme o crescimento do consultório.

4. Acesso facilitado a crédito e segurança jurídica

Ter um CNPJ ativo e com histórico contábil organizado facilita o acesso a linhas de crédito profissionais, leasing de equipamentos e até planos de previdência empresarial, algo impossível para quem atua apenas como autônomo.

Além disso, como PJ, o psicólogo passa a ter separação entre o patrimônio pessoal e o da empresa, o que garante proteção jurídica em eventuais situações de litígio ou inadimplência.

Quando o psicólogo autônomo ainda pode ser vantajoso

Apesar de todas as vantagens da formalização, existem situações em que o modelo de autônomo ainda pode ser uma boa escolha, especialmente para quem está começando.

O psicólogo autônomo pode manter-se nesse regime quando:

  • Está em fase inicial de carreira, com baixa receita mensal (até R$ 3.000,00);

  • Realiza atendimentos eventuais ou temporários;

  • Ainda não possui estrutura física ou custos fixos significativos;

  • Não atende convênios e clientes que exijam nota fiscal.

Nesses casos, a simplicidade pode compensar a maior carga tributária, pelo menos no curto prazo. Mas é importante ficar atento: assim que a receita crescer, a formalização como PJ passa a ser quase sempre a melhor escolha.

Comparativo direto: autônomo x PJ

Confira na tabela abaixo, um comparativo completo entre atuar como psicólogo autônomo e psicólogo PJ:

Critério Psicólogo Autônomo (PF) Psicólogo PJ (CNPJ)
Tributação IRPF + INSS + ISS (pode ser maior que 40%) Simples Nacional (6% a 19,5%)
Obrigações Carnê-Leão e IR anual DAS mensal e contabilidade
Acesso a crédito Limitado e burocrática Amplo e com juros baixos
Emissão de nota fiscal Apenas recibo NFS-e válida para convênios e planos
Previdência INSS individual (20%) INSS (11%)
Planejamento tributário Limitado Possível e altamente vantajoso
Risco jurídico Total (PF responde com bens pessoais) Limitado ao capital da empresa

Essa tabela deixa claro que o modelo PJ oferece mais vantagens em praticamente todos os aspectos. A diferença de carga tributária é a principal motivação, mas o ganho em organização, segurança e credibilidade também é significativo.

Como abrir um CNPJ como psicólogo

Se você decidiu formalizar seu consultório, o processo é simples e rápido, principalmente com o suporte de uma contabilidade especializada.

Passo 1: Escolha o tipo de empresa

O psicólogo pode abrir uma empresa como:

  • Sociedade Limitada Unipessoal (SLU): Ideal para atuar sozinho, sem sócios.

  • Sociedade Limitada (Ltda): Se for dividir o consultório com outro psicólogo ou profissional da saúde.

O modelo SLU é o mais utilizado atualmente, pois não exige capital mínimo e garante separação patrimonial.

Passo 2: Defina o CNAE correto

O CNAE principal para psicólogos é 8650-0/03 – Atividades de psicologia e psicanálise, que permite o enquadramento no Simples Nacional e a emissão de notas fiscais de serviços.

Passo 3: Registro da empresa

O contador elabora o contrato social e realiza o registro da empresa na Junta Comercial do estado. Em seguida, é feita a emissão do CNPJ na Receita Federal e a inscrição municipal para recolhimento do ISS.

Além disso, é necessário obter o alvará de funcionamento e o cadastro no conselho regional de psicologia (CRP) vinculado ao CNPJ.

Passo 4: Enquadramento tributário e folha de pagamento

Com o CNPJ ativo, o contador faz o enquadramento do psicólogo no Simples Nacional ou outro regime mais vantajoso para a realidade do profissional.

Na maior parte dos casos, o Simples é o regime mais econômico, no entanto, também existem psicólogos que melhor se enquadram no Lucro Presumido, onde a carga de impostos é fixada entre 13,33% e 16,33% sobre o faturamento.

Psicólogo PJ: quanto sobra no final?

Vamos comparar o resultado líquido entre atuar como autônomo e como PJ, considerando o mesmo faturamento de R$ 10.000,00 mensais:

  • Autônomo: Paga cerca de R$ 4.300,00 em tributos, sobrando R$ 5.700,00 líquidos.

  • PJ no Simples Nacional (Anexo III, 6%): Paga cerca de R$ 600,00, sobrando R$ 9.400,00 líquidos.

A diferença é de R$ 3.700,00 a mais de lucro mensal, ou seja, mais de R$ 44 mil por ano economizados em impostos. Essa economia permite reinvestir no consultório, ampliar o marketing, contratar assistentes e melhorar a estrutura de atendimento.

Vale a pena ser psicólogo PJ?

Sim, na maioria dos casos, vale muito a pena. O modelo PJ proporciona redução tributária, mais controle financeiro e segurança jurídica, além de abrir portas para contratos corporativos e convênios.

Mas para aproveitar todos os benefícios e evitar erros fiscais, é fundamental contar com o apoio de um contador especializado na área da saúde. É ele quem vai orientar sobre o enquadramento correto, o cálculo do Fator R, o regime ideal e a gestão contábil contínua.

Conclusão

A resposta para a dúvida “psicólogo autônomo ou PJ: qual paga menos impostos?” é clara: quem atua como PJ paga muito menos. A diferença pode ultrapassar 80% de economia tributária, além de oferecer vantagens em planejamento, dedução de despesas, segurança e crescimento profissional.

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