Abrir um consultório de psicologia é um passo importante na carreira de muitos profissionais da área. Seja após conquistar estabilidade financeira, buscar mais autonomia ou atender a uma crescente demanda por atendimentos personalizados, ter o próprio espaço é sinônimo de independência e de construção de uma marca profissional.
No entanto, a abertura de um consultório requer planejamento, organização e atenção às exigências legais, contábeis e éticas do Conselho Federal de Psicologia (CFP).
Por isso, neste artigo da Contabiliza+ Contabilidade, você confere um checklist completo para abertura de um consultório de psicologia, incluindo aspectos burocráticos, estruturais e administrativos que vão ajudar você a começar do jeito certo.
1. Planejamento inicial: defina sua estratégia de atuação
Antes de lidar com a parte burocrática, o primeiro passo é o planejamento estratégico do negócio. Isso inclui refletir sobre os seguintes pontos:
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Público-alvo: Você pretende atender adultos, casais, adolescentes, crianças, empresas ou outro nicho específico?
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Tipo de atendimento: Será presencial, online, ou híbrido?
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Especialidade e posicionamento: Clínica geral, terapia cognitivo-comportamental (TCC), psicanálise, terapia de casal, entre outras.
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Localização: Um espaço de fácil acesso, próximo a transporte público e com ambiente acolhedor faz toda a diferença.
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Investimento inicial: O custo de montar um consultório de psicologia pode variar de acordo com o tamanho do espaço, equipamentos, mobiliário e licenças necessárias.
Um bom plano de negócios ajuda a prever gastos, analisar concorrência e projetar receitas, evitando surpresas no início das operações. Um contador especializado pode apoiar na elaboração desse plano e na escolha do regime tributário mais vantajoso.
2. Escolha do modelo de formalização: autônomo ou CNPJ?
O psicólogo pode atuar tanto como autônomo (pessoa física) quanto como pessoa jurídica (CNPJ). No entanto, abrir uma empresa geralmente é a opção mais vantajosa, tanto pela credibilidade quanto pela economia tributária.
Psicólogo autônomo
Trabalhar como autônomo é possível, mas implica em recolher o Carnê-Leão mensalmente e pagar IRPF, INSS e ISS municipal de forma individual.
Além disso, o psicólogo precisa se cadastrar na prefeitura para poder emitir Nota Fiscal de Serviços. Essa forma de atuação costuma ser mais viável no início da carreira, quando o volume de atendimentos ainda é pequeno.
Psicólogo com CNPJ
Ao abrir um CNPJ, o psicólogo pode atuar como Sociedade Uniprofissional ou Sociedade Limitada (LTDA), dependendo se o consultório terá só um profissional ou mais sócios.
Com o CNPJ, é possível optar por regimes como o Simples Nacional, que reduz a carga tributária para clínicas de pequeno e médio porte, e facilita obrigações fiscais e contábeis.
Além disso, o CNPJ transmite mais credibilidade a pacientes e empresas, permite firmar contratos corporativos e facilita o acesso a linhas de crédito específicas para clínicas de saúde.
3. Registro profissional e ético
Nenhum consultório de psicologia pode funcionar sem o devido registro no Conselho Regional de Psicologia (CRP). O CRP é o órgão responsável por fiscalizar a atuação dos profissionais e garantir que o atendimento siga os princípios éticos da profissão.
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O psicólogo deve estar com sua inscrição ativa e regularizada no CRP.
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Se abrir uma clínica com outros profissionais, o CNPJ também precisa de registro de pessoa jurídica junto ao CRP.
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O local deve seguir as Normas Técnicas do Conselho Federal de Psicologia, que tratam da privacidade, sigilo profissional e estrutura adequada para atendimentos.
Esse registro é obrigatório e costuma ser solicitado junto à documentação de alvará de funcionamento.
4. Escolha do regime tributário e CNAE adequado
Com o apoio de uma contabilidade especializada, o psicólogo deve escolher o regime tributário mais vantajoso para seu consultório. As opções mais comuns são:
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Simples Nacional: Ideal para a maioria dos psicólogos, com alíquota inicial em torno de 6%, dependendo do volume de faturamento.
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Lucro Presumido: Indicado para clínicas maiores, com faturamento elevado, e que não se enquadram nas primeiras faixas do Simples Nacional..
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Lucro Real: Utilizado por grandes empresas, como clínicas de grande porte e hospitais.
Além disso, é necessário escolher o CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) correto. O código utilizado para consultórios de psicologia é o 8690-9/01 – Atividades de psicologia e psicanálise. Esse código enquadra o consultório na categoria de serviços de saúde e permite emissão de notas fiscais corretamente.
5. Documentos necessários para abertura da empresa
Para registrar oficialmente o consultório, o psicólogo precisará reunir alguns documentos pessoais e do local onde será prestado o serviço. Entre eles:
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RG e CPF do titular ou sócios;
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Comprovante de endereço residencial e comercial;
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IPTU ou contrato de locação do imóvel onde funcionará o consultório;
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Cópia do registro profissional no CRP;
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Contrato social (em caso de sociedade);
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Termo de responsabilidade técnica (para clínicas com múltiplos profissionais).
Com esses documentos, o contador fará o processo de abertura de CNPJ junto à Receita Federal, inscrição municipal, registro na Junta Comercial, solicitação de alvará de funcionamento e emissão de certificados digitais.
6. Alvarás e licenças obrigatórias
A área da saúde é uma das mais reguladas, por isso é essencial atender todas as exigências legais. Os principais documentos e licenças são:
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Alvará de Funcionamento: Emitido pela Prefeitura, autoriza o início das atividades;
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Licença da Vigilância Sanitária: Atesta que o local está em condições adequadas de higiene, estrutura e acessibilidade;
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Certificado do Corpo de Bombeiros: Comprova que o espaço tem saídas de emergência e extintores adequados;
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Registro de Pessoa Jurídica no CRP: Obrigatório para clínicas com CNPJ;
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Inscrição Municipal: Necessária para emissão de notas fiscais de serviços.
Esses documentos garantem o funcionamento legal e seguro do consultório, evitando multas e interdições.
7. Estrutura física e layout do consultório
A escolha do espaço físico deve refletir o propósito da psicologia: acolhimento, sigilo e conforto. Alguns elementos são essenciais:
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Sala de atendimento: Deve ser reservada, com isolamento acústico e iluminação agradável;
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Mobiliário: Invista em cadeiras confortáveis, mesa de trabalho, estante para livros e decoração que transmita calma;
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Recepção: Mesmo em consultórios pequenos, é importante ter um espaço de espera organizado;
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Banheiro acessível: Obrigatório conforme as normas da Anvisa e do Corpo de Bombeiros;
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Identidade visual: Ter uma placa discreta, papel timbrado e materiais padronizados reforça a imagem profissional.
Para quem atua de forma híbrida, vale considerar o investimento em um espaço que possa ser usado tanto presencialmente quanto para atendimentos online, com boa iluminação e isolamento sonoro.
8. Equipamentos e tecnologia
Embora o consultório de psicologia não demande equipamentos complexos, alguns itens são indispensáveis para o dia a dia:
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Computador ou notebook;
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Impressora multifuncional;
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Sistema de gestão de pacientes (agenda, prontuário eletrônico e emissão de recibos);
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Plataforma de videoconferência segura para atendimentos online;
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Internet de qualidade;
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Sistema de pagamento eletrônico ou link de cobrança.
Muitos psicólogos têm adotado ferramentas digitais para otimizar o tempo e reduzir tarefas administrativas, como softwares de agendamento automático, lembretes por WhatsApp e controle de receitas e despesas.
9. Contabilidade e gestão financeira
Ter uma contabilidade especializada em profissionais da saúde é fundamental. Um contador experiente vai cuidar da abertura da empresa, emissão de notas fiscais, apuração de impostos, declarações acessórias e planejamento tributário.
Além disso, é importante manter uma gestão financeira organizada, separando as finanças pessoais das profissionais. Tenha uma conta bancária empresarial e registre todas as receitas e despesas. Isso facilita o controle do fluxo de caixa e permite planejar investimentos futuros.
Outro ponto importante é o pró-labore, valor mensal que o psicólogo retira como remuneração por seu trabalho. Ele deve ser formalizado na contabilidade e recolher o INSS sobre esse valor, garantindo benefícios previdenciários.
10. Precificação dos atendimentos
Definir o valor das consultas é uma etapa estratégica e deve considerar:
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Custos fixos (aluguel, energia, internet, contabilidade, licenças);
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Custos variáveis (materiais, plataformas, deslocamentos);
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Valor de mercado na região e especialidade;
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Público-alvo e poder aquisitivo;
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Tempo médio por atendimento.
Um erro comum é definir o preço apenas com base na concorrência. O ideal é usar uma planilha de custos e rentabilidade para garantir que o valor cubra as despesas e gere lucro. O contador pode ajudar a calcular esse ponto de equilíbrio.
11. Marketing e presença digital
Com a popularização das redes sociais, o marketing se tornou uma ferramenta poderosa para psicólogos que desejam atrair pacientes e fortalecer sua marca pessoal. Algumas estratégias eficazes incluem:
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Criar um perfil profissional no Instagram e LinkedIn;
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Produzir conteúdos educativos sobre saúde mental;
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Ter um site com informações sobre o consultório e formulário de contato;
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Investir em Google Meu Negócio para aparecer nas buscas locais;
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Fazer parcerias com outros profissionais da área da saúde.
É importante lembrar que o Código de Ética Profissional do Psicólogo estabelece limites claros sobre divulgação. A publicidade deve ser informativa e jamais sensacionalista, evitando promessas de resultados ou exposição de pacientes.
12. Atendimento online e telepsicologia
A modalidade de atendimento online está autorizada pelo Conselho Federal de Psicologia, mas exige cadastro no sistema e-Psi. O psicólogo precisa informar ao CRP que realiza atendimentos virtuais e seguir as normas éticas específicas, como sigilo e segurança dos dados.
O ideal é utilizar plataformas seguras, com criptografia, e manter um ambiente tranquilo e profissional durante as consultas. Essa modalidade amplia o alcance do consultório, permitindo atender pacientes de outras cidades e até de outros países.
13. Gestão de prontuários e sigilo profissional
Todo consultório deve adotar boas práticas de registro e armazenamento de informações. O prontuário psicológico é um documento confidencial e deve ser mantido em local seguro, físico ou digital, conforme as orientações do CFP.
O profissional deve assegurar:
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A integridade das informações;
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O sigilo absoluto dos dados do paciente;
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A guarda dos prontuários por, no mínimo, 5 anos após o término do atendimento.
Softwares de gestão específicos para psicólogos podem facilitar esse processo, permitindo controle eletrônico e seguro das informações.
14. Avaliação de resultados e crescimento do consultório
Depois de estruturado e em funcionamento, é hora de acompanhar indicadores de desempenho. Analise:
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Taxa de ocupação da agenda;
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Faturamento mensal e lucro líquido;
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Número de novos pacientes e taxa de retenção;
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Satisfação dos clientes.
Com essas informações, é possível planejar o crescimento sustentável do consultório, contratar assistentes, ampliar o espaço físico e investir em novas especializações.
15. Contratação de equipe e parcerias estratégicas
À medida que o consultório de psicologia cresce, pode ser necessário contar com o apoio de outros profissionais. Mesmo que o início seja individual, é comum que psicólogos ampliem a estrutura com o tempo, formando uma clínica multiprofissional.
Nesses casos, é importante definir a forma de trabalho dos colaboradores, se serão sócios, prestadores de serviço ou contratados CLT. Cada modelo tem implicações diferentes em relação a tributos, direitos trabalhistas e responsabilidades.
Além disso, parcerias com nutricionistas, psiquiatras, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais agregam valor ao atendimento, permitindo oferecer uma abordagem mais integrada à saúde mental. Essa estratégia também ajuda a fortalecer a reputação do consultório e ampliar o número de indicações.
Vale a pena a formalização como psicólogo PJ?
Sim, e por diversos motivos. A formalização como psicólogo PJ (Pessoa Jurídica) é uma das decisões mais vantajosas para quem deseja estruturar a carreira e reduzir a carga tributária de forma legal.
Ao abrir um CNPJ, o profissional pode optar pelo Simples Nacional, onde as alíquotas iniciais partem de cerca de 6%, muito menores do que os mais de 20% pagos por autônomos via Carnê-Leão e INSS.
Além disso, o CNPJ oferece maior credibilidade diante de pacientes, empresas e convênios, permite emissão de notas fiscais e amplia o acesso a linhas de crédito e benefícios empresariais.
Outro ponto relevante é a possibilidade de deduzir despesas operacionais como aluguel, internet e energia, otimizando o lucro líquido do consultório. Portanto, formalizar-se como PJ é uma escolha inteligente para quem quer crescer com segurança financeira e reconhecimento profissional.
Conclusão
Abrir um consultório de psicologia é um projeto que une propósito, técnica e gestão. Com o devido planejamento e apoio contábil, é possível estruturar um negócio sólido, ético e rentável.
A Contabiliza+ Contabilidade é especialista em contabilidade para psicólogos e profissionais da saúde, cuidando de todas as etapas, desde a abertura do CNPJ, registro no CRP, escolha do regime tributário e emissão de notas fiscais, até o planejamento financeiro para reduzir impostos e maximizar resultados.
Se você quer abrir seu consultório com segurança e evitar erros burocráticos, fale com a equipe da Contabiliza+ e conte com especialistas para acompanhar cada etapa da sua jornada empreendedora na psicologia.


